Quando a palavra é castração, a primeira imagem que vem a mente é o do burdizzo (equipamento de castração). Traumática para os animais, a cirurgia, no entanto, não é a única opção. A empresa farmacêutica Pfizer acaba de lançar uma vacina de castração imunológica para bovinos. Equivalente ao produto disponível para os suínos desde 1997, o método é tão eficaz quanto o tradicional, com a vantagem de minimizar os efeitos colaterais.

A castração à moda antiga pode trazer complicações pós-operatórias. “Além de causar estresse ao animal, o que pode levar à falta de apetite e consequente perda de peso, a cirurgia pode causar bicheira, miíases, infecções e até morte”, afirma Fernanda Hoe, gerente de produtos bovinos da Pfizer. Mesmo conscientes dos riscos, os produtores optam por castrar seus animais para reduzir o comportamento agressivo e sexual, além de trazer alguns benefícios de acabamento de carcaça, como o aumento da cobertura de gordura.

À venda desde maio deste ano, a Bopriva, vacina de castração imunológica, estimula o animal a produzir anticorpos contra o GnRF (fator de liberação de gonadotropinas). Isso inibe a produção de FSH e LH, hormônios da reprodução e consequentemente, inibem a produção de testosterona no macho e estrógeno e progesterona na fêmea. O protocolo é feito com duas aplicações, que custam, juntas, R$ 15, e duram cerca de cinco meses (após a segunda dose ministrada). Depois deste período, se o animal ainda não foi abatido, a vacina perde o efeito e a produção de hormônios normaliza.

Não há necessidade de um período de carência para realizar o abate. “A vacina não deixa resíduos no organismo do animal”, afirma Hoe. Ela acrescenta também que a aplicação pode ser feita junto com outros manejos, reduzindo custos. O dispositivo de aplicação tem um sistema de segurança, o que diminui o risco de acidentes.